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ALÉM
DA IDADE DA RAZÃO
Longevidade
e saber na ficção brasileira
Carmen Lúcia Tindó Secco
Posfácio: Nélida Piñon
Literatura brasileira - crítica
256 páginas - R$42,00
ISBN: 85-85277-10-6
Produto momentaneamente indisponível
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TRECHO
"É
conhecida a discriminação sofrida
pelos velhos, desde a Idade Média,
na maioria das sociedades ocidentais.
Com o advento da modernidade, esse
desprezo intensifica-se, havendo,
conforme assinala Simone de Beauvoir,
uma "conspiração de silêncio" contra
a velhice, pois esta "surge aos
olhos da sociedade como uma espécie
de segredo vergonhoso do qual é
indecente falar."
No
âmbito da crítica literária, encontramos
inúmeros estudos sobre a mulher,
sobre o negro, entre outros grupos
marginalizados. São reduzidos, entretanto,
os trabalhos que analisam como a
literatura opera com a velhice.
Não temos a pretensão de preencher
esse vazio da crítica, porém nos
propomos a iniciar, junto com os
poucos estudos existentes sobre
o velho na ficção brasileira, uma
reflexão sobre o assunto. Não é
nossa intenção, no entanto, examinar
a senescência pela perspectiva das
"minorias oprimidas", mas pela filosofia
proposta por Walter Benjamin principalmente
quando ele reflete acerca da tradição
e da modernidade."
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| Antologia
da Poesia Popular de Pernambuco |
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ANTOLOGIA
DA POESIA POPULAR DE PERNAMBUCO
Mário Souto Maior e Waldemar
Valente (organizadores)
Literatura brasileira - Cordel
244 páginas - R$ 45,00
ISBN: 85-85277-34-3
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TRECHO
"Não
esqueço o dia dez
De março de trinta e seis,
Quando Bernardino fez
Os seus versinhos fiéis...
Médicos e bacharéis
Me deram toda atenção,
Nessa mesma ocasião
Disse um doutor, prasenteiro:
O poeta verdadeiro
É o cantador do sertão!
Homens
de grande importância
E de pronúncia legítima
Sabem que o matuto é vítima
Das trevas da ignorância!
Mas em qualquer circunstância
De amor ou separação,
Quem quiser boa canção,
Não procure outro troveiro!
O poeta verdadeiro
É o cantador do sertão!
O
improviso é urgente!
Nos aparece e se esconde...
Chega, ninguém vê
por onde,
Passa que ninguém sente...
Por isso um vulto excelente,
De correta educação,
Em tom de admiração,
Nos diz sorrindo e faceiro:
O poeta verdadeiro
É o cantador do sertão!
Quem
compra o mundo é dinheiro,
Somos cativos do agrado,
Tempo bom foi o passado,
Dos amores o primeiro,
Planta linda é o craveiro,
Votos, só de gratidão,
Sentir, o do coração!
No meu país brasileiro,
O poeta verdadeiro
É o cantador do sertão!.."
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| A
Arte de Viver e Outras Artes |
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A
ARTE DE VIVER E OUTRAS ARTES
Cadernos de João, ensaios, crítica
dispersa, auto-retrato
Aníbal M. Machado
Apresentação: Leandro Konder
Ensaios - interpretação
332 páginas - R$48,00
ISBN: 85-85277-09-2
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TRECHO
"Esse
aglomerado de ossos, vísceras e
humores, esse complexo de fibras
excitáveis e depósito de memórias
- é menos unidade orgânica do que
passagem de fluidos, folhas da grande
árvore cósmica que liga céus e terra,
espírito e sangue, espaço de dentro
e espaço de fora em viva transmutação
de forças com o Universo.
Ninguém precisa sair de si para
participar do ilimitado. Cada qual
está perto do longe e contém o todo,
como a gota de água é mar dentro
do mar.
Basta
- dizia Blake - que estejam limpas
as portas da percepção para que
as coisas apareçam tais como são:
infinitas."
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BANDEIRANTES
E PIONEIROS -
Paralelo
entre duas culturas
Vianna Moog
Brasil - história e sociologia
352 páginas - R$50,00
ISBN: 85-85277-31-9
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TRECHO
"De
há muito que esta pergunta anda
no ar em busca de uma resposta em
grande: como foi possível aos Estados
Unidos, país mais novo do que o
Brasil e menor em superfície continental
contínua, realizar o progresso quase
milagroso que realizaram e chegar
aos nossos dias, à vanguarda das
nações, como a prodigiosa realidade
do presente, sob muitos aspectos
a mais estupenda e prodigiosa realidade
de todos os tempos, quando o nosso
país, com mais de um século de antecedência
histórica, ainda se apresenta, mesmo
à luz de interpretações e profecias
mais otimistas, apenas como o incerto
país do futuro?
Como
foi isto possível? Que aconteceu?
Que fatos terão condicionado o processo
das duas histórias para que se produzisse
tamanho contraste?
Não
há evitar as interrogações ou formulá-las
de modo diverso. Estas repontarão,
a todo momento e a cada passo, ao
acaso dos mais variados pretextos,
a propósito de tudo e às vezes até
sem propósito algum, com a persistência
de leit-motives obrigatórios e indesviáveis.
Trata-se,
portanto, de uma indagação que existe
e que, à proporção que se ampliam
as relações entre Brasil e Estados
Unidos e com elas as possibilidades
de confronto entre as duas civilizações
se vai cada vez mais se entranhando
na consciência nacional, tornando
a bem dizer imperiosa a necessidade
de procurar-lhe, senão uma resposta
definitiva, pelo menos uma explicação
à altura de sua importância.
Bandeirantes
e Pioneiros, fruto antes da
observação direta dos dois países
que de investigações livrescas -
ainda que por sua vez possa dar
a impressão do contrário - nada
mais é, na sua intransigente sinceridade,
do que uma tentativa honesta neste
sentido."
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| Capitalismo
e Revolução Burguesa no Brasil |
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CAPITALISMO
E REVOLUÇÃO BURGUESA NO BRASIL
Nelson
Werneck Sodré
Capitalismo Brasil - história
176 páginas - R$36,00
ISBN: 85-85277-18-1
Produto momentaneamente indisponível
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TRECHO
"Num
homem tão cauto, tão seguro de seus
passos e iniciativas, hábil no recuo,
na manobra, sensível às possibilidades,
distante de todo e qualquer aventureirismo,
os pronunciamentos de Vargas, em
1953 e 1954, surpreendem pela audácia.
Mais do que audácia, afoiteza. Na
proporção em que não pode, arrisca.
Quem lê, hoje, tantos anos passados,
os discursos que pronunciou - não
em reuniões privadas ou limitadas,
mas de público, no rádio - a respeito
dos investimentos estrangeiros em
energia, a respeito da remessa de
lucros dos capitais estrangeiros,
ou ditos estrangeiros (na verdade,
captados na poupança nacional, estrangeiros
apenas para fins de remessa de lucros),
fica espantado.
Parecem
de propagandista político de esquerda,
de parlamentar de oposição, de nacionalista
rubro e extremado. São, entretanto,
do presidente da república, e de
um presidente em declínio de força,
sob ameaça séria, sob o fogo de
seus adversários, de seus inimigos
mesmo. Tais pronunciamentos, dos
mais veementes que já se fez, no
Brasil, contra o imperialismo, assinalam,
ao que parece, o deliberado propósito
de jogar uma cartada decisiva. Não
se trata de análises, de discussões,
de fixação de posições. Trata-se
de verdadeiros e candentes libelos,
de acusações frontais. Nesses pronunciamentos,
constata-se que alguém que conhece
a fundo o problema, porque preside
os negócios públicos, denuncia fraudes
extraordinárias, sonegações enormes,
furto organizado e sistemático,
burla continuada das leis e dos
dispositivos fiscais.
Isso
não é dito em arroubos eventuais,
mas surge de discursos meditados.
Representa uma tomada de posição
como nenhum homem público brasileiro,
no nível a que ele estava alçado,
fizera jamais. Tais pronunciamentos,
entretanto, calavam pouco, ficavam
quase sem acústica. Pela gravidade
de seu conteúdo, pela violência,
pela enormidade dos crimes anunciados,
eram de abalar a nação, de atear-lhe
fogo, de despertar as mais recônditas
energias nacionais, de mobilizar
o povo. E, no entanto, nada disso
acontecia. Vargas dizia verdades,
as mais terríveis verdades. Mas
ninguém mais estava a ouvi-lo; ninguém
mais lhe prestava atenção; ninguém
mais se dispunha a secundá-lo. Ele
estava só."
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CATAS
DE ALUVIÃO
Do Pensar e do Ser em Minas
Affonso Ávila
Literatura brasileira - história e crítica
312 páginas - R$50,00
ISBN: 85-85277-29-7
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TRECHO
"É
sempre um pouco difícil falar de
si mesmo, mas eu vou contar a vocês
um pouco de minha vida, o que posso
chamar "a minha trajetória", desde
a adolescência literária até agora,
até esta maturidade. Espero poder,
com isso, oferecer alguma coisa
que auxilie não só a compreender
o meu trabalho, mas a compreender
como uma pessoa, um escritor, se
forma e vai realizando a sua vida
no dia-a-dia, no passo a passo da
criação. Eu comecei a escrever muito
jovem, aos treze, quatorze anos
já escrevia. Escrevia essas coisas
que geralmente todo mundo que começa
escreve, mas tinha uma curiosidade
muito grande por tudo e, embora
tenha lutado muito em minha vida,
com um começo de vida muito duro,
trabalhando e estudando desde onze
anos de idade, sempre tive atração
pela literatura. Isso, não obstante
eu não desfrutasse em minha casa
de nenhum estímulo imediato para
essa vocação, esse interesse, a
não ser, talvez, uma tendência de
sensibilidade, herdada de família,
de meus avós que eram artistas,
ambos músicos, um compositor e maestro,
o outro instrumentista. Meu avô
materno era homem de forte pendor
para as coisas do espírito, pessoa
bastante inteligente. De meu avô
paterno não posso falar muito porque
não cheguei a conhecê-lo. Ele morreu,
lamentavelmente, assassinado, quando
meu pai era criança, deixando pouca
memória, mas em nosso sangue a marca
da ascendência espanhola. Meu avô
materno viveu a vida quase toda
na cidadezinha de Ituverava, nosso
lugar de origem, onde mantinha uma
pequena orquestra e dominava, por
assim dizer, a vida cultural da
localidade, para ele ligada em informação
ao resto do mundo pela leitura freqüente
de jornais do Rio de Janeiro e de
São Paulo. A imagem mais viva que
guardo dele - eu ainda bem pequeno
e ele já idoso e morando em Belo
Horizonte - é a de vê-lo na varanda
e de sua casa, sentado numa cadeira
de balanço, sempre lendo. Sou propenso
a acreditar que o fator ancestral
tenha, de algum modo, influído na
minha inclinação literária."
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CERTO
OU ERRADO? -
Atitudes
e crenças no ensino da língua portuguesa
Emmanoel dos Santos
Língua portuguesa estudo e ensino
128 páginas - R$35,00
ISBN: 85-85277-16-5
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TRECHO
"A
Lingüística pode oferecer alguma
colaboração ao professor interessado
em trocar preconceitos e crenças
sem compromissos com a realidade
por conhecimentos a respeito" da
língua tão objetivos quanto possível.
Alguns problemas são levantados
aqui, como a relação entre a realidade
da língua oral e a realidade da
língua escrita. Há dominância de
uma em relação `a outra? Até onde
vão os graus de interferência? Há
harmonia no encontro dos dois espaços?
Há entre elas alguma relação de
precedência? É satisfatória a visão
que a tradição escolar tem do fenômeno?
O problema central é o da heterogeneidade
lingüística, a variação inerente
a qualquer língua natural. Uma língua
em uso em uma comunidade múltipla
em vários aspectos necessariamente
apresenta-se também diversificada?
Uma língua tem uma só norma ou tem
várias normas? O ensino da língua
materna leva em conta a multiplicidade
de usos? Os manuais escolares apresentam
a língua como ela é? Levam os alunos
a ver a variação como elemento positivo,
negativo ou neutro?"
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O
CHEIRO DE COISA VIVA -
Entrevistas,
reflexões dispersas e um romance inédito:
O Estadista
Dyonelio Machado
Introdução, seleção e notas: Maria Zenilda
Grawunder
Ficção brasileira - biografia
300 páginas - R$48,00
ISBN: 85-85277-13-0
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TRECHO
"Faz
dezessete dias que foi proferida
a sentença, condenando-me ao grau
submédio da pena, ou seja, a dez
meses e meio de prisão, e até agora
o juiz não teve oportunidade de
resolver sobre o sursis impetrado
a meu favor.
A
velha aspiração popular de uma justiça
rápida continua sendo, apesar de
todos os esforços, às vezes extremos
para a materializar, um simples
sonho ingênuo do nosso povo, sonho
que não morrerá porque não estão,
felizmente, perdidas todas as esperanças.
Ponto
importante de um movimento revolucionário
triunfante o de 30
que logo ficou esquecido, mal se
apossaram do poder aqueles que,
durante a campanha de propaganda,
tanto o preconizavam e defendiam.
A justiça é para a sociedade o que
a medicina é para o indivíduo. Ela
é um remédio social, de que depende
a saúde dum todo. Qualquer decisão
jurídica representa um beneficio
para a comunidade, benefício que
se confunde com a própria vida
por isso que ela é
composta de indivíduos e tudo quanto
respeita a um deles diz igualmente
respeito a todos. A sociedade tem
tanto interesse em punir como em
absolver. A justiça é, pois, uma
assistência prestada à sociedade,
em tudo comparável à assistência
que o médico consagra aos seus pacientes.
Ora, imagine-se o que seria, na
esfera
individual, uma medicina tardia,
chegando fora de tempo, fora de
toda oportunidade."
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COMPARSAS DO RISO
Bernardo de Mendonça
Ilustrações de Andréia Resende
Literatura infanto - juvenil
32 páginas - R$27,00
ISBN: 978-85277-55-0
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TRECHO
“Quem deu a primeira risada? E de quê, de quem, riu de si?
Por que é que um homem ri?
A primeira destas perguntas
passo adiante porque não sei.
Mas digo que um homem ri
não porque seja um bobo;
tudo indica valha o inverso:
bobo por certo é quem não ri.
Agora, de que ri um homem
é mais difícil responder
e não por faltarem respostas
como quero mostrar aqui.
Saberá muito de alguém
quem souber bem do que sorri.
Há quem ria dos muito humildes,
dos solitários ou dos tristes.
E há quem deboche dos reis,
dos mais imbecis na soberba,
dos poderosos pelas armas
ou pelo dinheiro que têm.
Sim, saberá muito de alguém
quem souber bem do que sorri.
” |
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CONTROLE
DA MÍDIA
Os
espetaculares feitos da propaganda
Noam Chomsky
Comunicação de massa –
História Contemporânea
96 páginas - R$ 35,00
ISBN
85-85277-47-5
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TRECHO
“O
papel da mídia na política
contemporânea nos obriga a
perguntar em que tipo de mundo e
em que tipo de sociedade queremos
viver, e, principalmente, qual dos
sentidos de democracia queremos
que seja o de uma sociedade democrática.
Permita-me começar contrapondo
duas diferentes concepções
de democracia. Uma delas diz que
uma sociedade democrática
é aquela em que o público
tem meios de participar de maneira
significativa na condução
de seus próprios interesses
e os meios de informação
são abertos e livres. Se
você procurar a palavra democracia
num dicionário encontrará
uma definição semelhante.
Outra concepção de
democracia é aquela na qual
o público deve ser barrado
da administração de
seus interesses e os meios de informação
devem ser mantidos estreita e rigidamente
sob controle. Pode parecer uma estranha
concepção de democracia
mas é importante compreender
que é a predominante. De
fato, ela existe há muito
tempo, não apenas na prática,
mas até mesmo na teoria.
É uma longa história
que remonta às primeiras
revoluções democráticas
na Inglaterra do século XVII
e que expressa amplamente este ponto
de vista.”
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DE
CORPO E ALMA
Catolicismo,
classes sociais e conflitos no campo
Regina Reyes Novaes
Trabalhadores rurais - Brasil
248 páginas - R$42,00
ISBN: 85-85277-20-3
Produto momentaneamente indisponível.
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TRECHO
"As
religiões se apresentam como as
principais fontes doadoras de sentido
para a vida. As concepções religiosas,
na verdade, ultrapassam as fronteiras
do contexto especificadamente religioso,
fornecendo um arcabouço de idéias
que dão forma significativa a uma
parte da experiência intelectual,
emocional e moral (Geertz, 1978:140).
O objetivo deste livro é compreender
o lugar ocupado pela religião no
processo de construção de identidades
políticas entre os trabalhadores
do campo que se mobilizam para ter
acesso ao uso, posse e propriedade
da terra.
No Brasil, de modo geral, são católicos
tanto os trabalhadores do campo
que desejam a terra, quanto os latifundiários
ou empresários rurais que a monopolizam.
Reconhecendo-se como católicos,
partilham de elementos de fé, da
valorização dos sacramentos e do
reconhecimento da hierarquia eclesiástica.
Porém, embora façam parte do mesmo
corpo de fiéis, trazem para a vivência
da religião suas experiências culturais
e as marcas de suas diferentes posições
na estrutura social. É por isso
que, em situações de conflitos sociais,
quando proprietários e trabalhadores
se tornam opositores, cada lado
pode se apropriar das mesmas crenças
e símbolos católicos ao seu favor.
Certamente, como ocorre nas cidades,
entre os trabalhadores do campo
estão também presentes outras crenças
religiosas. Isto é , também na área
rural o protestantismo histórico,
o pentecostalismo, as religiões
afro-brasileiras e outras alternativas
religiosas se fazem cada vez mais
visíveis. Ainda assim - transnacional,
hierárquica e sacramental - a Igreja
Católica continua sendo a religião
dominante no país. Pode-se dizer
que há uma "cultura brasileira católica"
que se expressa tanto no catolicismo
cotidianamente vivido pela maioria
da população, quanto em termos da
legitimidade para interpretar moralmente
o estado e a Sociedade."
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Desaparecimento
da Infância, O |
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O
DESAPARECIMENTO DA INFÂNCIA
Neil Postman
Tradução: Suzana C. Menescal e José Laurênio
de Melo
Ensaio - teoria da comunicação
192 páginas - R$42,00
ISBN: 85-85277-30-0
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TRECHO
"Realmente,
este livro nasceu da minha percepção
de que a idéia de infância está
desaparecendo, e numa velocidade
espantosa. Parte da minha tarefa
nas páginas que se seguem consiste
em apresentar provas dessa observação,
embora desconfie de que a maioria
dos leitores não precisa de muito
para se convencer disso. Aonde quer
que eu tenha ido falar ou todas
as vezes em que escrevi sobre o
tema do desaparecimento da infância,
tanto os ouvintes quanto os leitores
não só se abstiveram de contestar
a proposição como prontamente me
apoiaram com testemunhos procedentes
de sua própria experiência. A percepção
de que a linha divisória entre a
infância e a idade adulta está se
apagando rapidamente é bastante
comum entre os que estão atentos
e é até pressentida pelos desatentos.
O que não é tão bem entendido é,
em primeiro lugar, de onde vem a
infância e, ainda menos, por que
estaria desaparecendo.
Creio
ter algumas respostas inteligíveis
para estas perguntas, quase todas
provocadas por uma série de conjeturas
sobre como os meios de comunicação
afetam o processo de socialização;
em particular, como a prensa tipográfica
criou a infância e como a mídia
eletrônica a faz "desaparecer".
Em outras palavras, na medida em
que me dou conta do que escrevi,
a principal contribuição deste livro
não reside na afirmação de que a
infância está desaparecendo, mas
numa teoria a respeito do porquê
de tal coisa estar acontecendo."
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DIÁRIO
DA PATETOCRACIA
Crônicas
brasileiras: 1968
José Carlos Oliveira
Depoimento: Wladimir Palmeira
Crônica brasileira
300 páginas - R$48,00
ISBN: 85-85277-15-7
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